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Quinta-feira, Outubro 30, 2003
...pro meu amigo Oswaldo.
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ju em 5:25 PM |
din don:
QUASE DEUS
Na primeira vez que vi um espetáculo de Marcelo Evelin fui levada pelas mãos, e pelos pés, da minha querida amiga Nazilene Barbosa. Na época lembro que ela me avisou que não seria um daqueles espetáculos de balé clássico que eu estava acostumada a ir ver todos os anos; mas ela tinha um brilho tão intenso nos olhos quando falava no assunto que eu, definitivamente, não podia deixar de ir ver.
Tudo foi um choque. O nome (Quase Deus), a música, a sapatilha preta, os passos, a interpretação dos bailarinos, o ovo...nada daquilo era parecido com nada do que eu já tivesse visto na vida, e no meio daquela música estranha deu pra ouvir o barulhinho de alguma coisa se abrindo dentro da minha cabeça.
CLICK.
O novo espetáculo de Marcelo Evelin, Sertão, estreou no começo do mês na Europa, sucesso de público e crítica. No elenco outros três piauienses talentosos: os músicos Sérgio Matos, Josh S. e Fábio Crazy. Infelizmente eu não consegui fotos do espetáculo pra mostrar, mas isso não é problema. Sertão poderá ser visto ao vivo e a cores em Teresina, nos dias 26 e 27 de novembro, no Teatro 4 de Setembro.
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ju em 4:16 PM |
din don:
WHERE I END & YOU BEGIN
E aí o Passado tocou a campainha. Ela olhou pelo olho mágico e ficou ali, em pé, decidindo se abria ou não a porta, enquanto pensava naquela sua estranha relação com esse ser tão subjetivo.
De vez em quando ela pensava ouvir o passado, nas tardes de domingo ou quando não tinha muito o que fazer, o que dava no mesmo. De vez em quando o Passado também escrevia pra ela coisas que ela já sabia e, às vezes, ela ficava procurando coisas novas nas entrelinhas. Mas de fato eram sempre as mesmas coisas. Ou então ela não entendia nada de entrelinhas. E tinha também as vezes em que ela podia ver o Passado e tinha aquela estranha sensação de que nenhum dos dois, nem ele nem ela, realmente existiam.
Olhou de novo pelo olho mágico. Lá estava ele de mãos dadas com as Lembranças. As ruins na direita. As boas na esquerda. O vizinho ligou o rádio, porque pra ela a vida necessita de trilha sonora. Então ela pensou no sonho. Andava tendo sonhos estranhos, com supermercados e macarrão.
¿Abro ou não abro?¿, ela se perguntou. E o Passado lá, do outro lado da porta.
Provavelmente, levando em conta seu temperamento, ele só tenha realmente tocado a campainha uma vez. De leve. Como quem teme levar um choque. Mas ela podia ouvi-lo ainda batendo. Só não conseguia decidir se abria ou não o diabo da porta.
Se ele arrobasse, ela pensou, seria mais fácil. Se ele tivesse coragem, desse um chute na porta e entrasse sem pedir licença. O que ela poderia fazer? Seria inevitável. Mas Passado é estranho e educado. Bate na porta, pede licença, pergunta se vai incomodar.
¿Abro ou não abro?¿
Se ao menos ele trouxesse apenas as boas lembranças. Mas as duas mãos estavam ocupadas e ela se perguntou qual das duas lembranças ele tinha soltado pra tocar a campainha.
¿Abro ou não abro?¿
Mais uma olhada no olho mágico. E ele não estava mais lá. Deixou as lembranças na porta e foi embora. Estava apenas de passagem.
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ju em 4:13 PM |
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Quarta-feira, Outubro 29, 2003
GRÃO...
Essa foto vai pra Maiçá (o grão zangado, mais legal de todos) e pro grupo de teatro dirigido por Moisés Chaves, que encenou esse mês, no dia das crianças, a peça O Pequenino Grão de Areia, no Teatro 4 de Setembro. O texto é uma livre e feliz adaptação da música ¿Estrela do Mar (Um Pequenino Grão de Areia)¿, pérola da música popular brasileira, de Marino Pinto e Paulo Soledade, que foi sucesso na voz de Dalva de Oliveira.
A foto (linda né?) é de Rochelle Costi e foi originalmente publicada na Revista MTV, nº 22, ano2.
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ju em 8:00 AM |
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Terça-feira, Outubro 28, 2003
VIK MUNIZ
As Monalisas aí da foto foram feitas com geléia de morango e pasta de amendoim, respectivamente, acredita?
O artista é Vik Muniz, um paulistano de 43 anos, super famoso lá fora, que faz arte com materiais como chocolate, areia, geleia e massinha de modelar. O cara é responsável, por exemplo, pela capa do cd Tribalistas, onde retratou Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Bronw usando calda de chocolate.
As obras, que ¿desmancham¿ em questão de horas, são fotografadas pelo próprio Vik e as fotos são expostas nas melhores galerias do Rio de Janeiro, São Paulo e Nova York. Uma de suas obras (no caso a fotografia da obra) já chegou a atingir o valor de 70 mil reais em um leilão de obras de arte.
Pobre de mim, que tudo que sei fazer com calda de chocolate é comer.
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ju em 3:59 PM |
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LUGARES QUE EU ADORO, PARTE 1: SUPERMERCADOS
Quando eu tinha uns sete anos derrubei um pote de maionese no Pão de Açúcar, enquanto desfilava pelos corredores, provavelmente vivenciando alguma história imaginária criada na minha cabecinha, que, desconfia-se, já era meio torta. Naquela época eu já achava supermercados lugares muito interessantes e, apesar do trauma (foi a primeira vez que eu passei uma pavorosa vergonha em público de acordo com a minha boa memória), continuo achando. Mas não me pergunte por que. Eu simplesmente gosto de supermercados. Acho o espaço agradável e o visual de todas aquelas coisas diferentes juntas e cuidadosamente arrumadas e enfileiradas naqueles corredores, me faz ter idéias. Imagino ensaios fotográficos, cenas de cinema e clips no supermercado (um dos clipes mais legais do Radiohead, Fake Plastic Tree, foi feito num supermercado). Também gosto dos cheiros; de frutas, verduras, congelados, biscoito, xampu...Sem falar que supermercados são ótimos lugares pra fazer corrida de carrinhos de supermercado (quando ele estiver vazio, por favor), pra curar depressões de pequeno porte e pra perceber que aquele cara que você conhece há séculos e que tá com você no supermercado, te ajudando a curar uma depressão de pequeno porte, vai sim conseguir te conquistar e virar o seu próximo namorado.
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ju em 3:58 PM |
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"vou te esperar comportadinho no quintal/ roendo as unhas devagar/escondidinho atrás das roupas no varal..." [acordei com essa música do Video Hits na cabeça hoje...no seu sonho toca música? No meu toca...]
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ju em 8:25 AM |
din don:
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
- Já ouviu o novo do Radiohead? Ta aqui na minha mochila...
- Não ouvi ainda, me empresta?
- Ah não, acabaram de me devolver. To com saudade de ouvir...
- Ah, por favor. Eu prometo que devolvo rápido...
- Rápido quando?
- Rápido semana que vem.
- Promete?
- Prometo!
- Ta bom...
Da primeira vez me impressionei com a qualidade dos arranjos, com a expressão na voz do Thom Yorke, e me surpreendi com a presença, ainda que suave, de música eletrônica em alguma faixas...| go and tell to the king that\ that the sky is falling in|
Da segunda vez acompanhei as letras, percebi que era uma melhor que outra e me perguntei de onde diabos ele tira essa inspiração toda...| segundo o próprio Thom Yorke, a inspiração pro Hail to the tief veio enquanto ele praticava o seu novo hobby: passar as madrugadas dirigindo pelas estradas perto da sua casa, até o sol começar a nascer...|
Da terceira vez só ouvi, e ouvi, e ouvi...e pensei em quebrar a promessa. Uma semana é muito pouco tempo. | I am up in the clouds\ and I can´t come down...|
...me perdi nos mapinhas do encarte. Ainda não cumpri a promessa.
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ju em 10:56 AM |
din don:
A revista Dynamite, publicação paulista especializada em rock, publica todos os meses uma lista dos 5 melhores mp3 independentes que chegam até a redação. Nesse mês a Anno Zero, banda do meu querido amigo e guitarrista André Melo, entrou pro Top 5 da revista com a música Fool. A banda conta ainda com o apoio da Black Hole Production n distribuição do seu cd, Another Pleasant Evening, para todo o Brasil.
Pra quem quiser maiores informações, ouvir a música, comprar o cd direto com a banda ou simplesmente conhecer a Anno Zero, o endereço é www.annozero.com.br.
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ju em 10:00 AM |
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...de volta ào mundo real...

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ju em 9:44 AM |
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Domingo, Outubro 26, 2003

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ju em 11:50 AM |
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...conheci Adriana Falcão num por acaso desses que fazem a gente parar na frente de uma livraria porque viu um livro com uma ilustração legal na capa. Entre entrar na loja, folhear o livro, ler a orelha escrita por Ziraldo e levá-lo, satisfeita pra casa (depois de pagar, obviamente), não se passaram 12 minutos e meio. Entre o começo e o fim, só uma noite. E lá estava ¿Luna Clara e Apolo Onze¿ na minha lista de livros preferidos.
Quando eu gosto muito de uma coisa tenho essa vontade estranha de mostrar pra todo mundo...¿Luna Clara e Apolo Onze¿ anda por ai, passeando de mão em mão... Pro caso de não passar por tooooodas as mãos, apresento a vocês Adriana Falcão, por meio de um continho, desses que a gente manda pra todo mundo por email, espalhando coisa boa por aí...
O doido da garrafa Adriana Falcão
Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido.
Depois que se apaixonou por uma garrafa de plástico de se carregar na bicicleta e passou a andar sempre com ela pendurada na cintura, virou o Doido da Garrafa.
O Doido da Garrafa fazia passarinhos de papel como ninguém, mas era especialista mesmo em construir barquinhos com palitos. Batizava cada barco com um nome de mulher e, enquanto estava trabalhando nele, morria de amores pela dona imaginária do nome. Depois ia esquecendo uma por uma, todas elas, com exceção de Olívia, uma nau antiga que levou dezessete dias para ser construída.
Batucava muito bem e vivia inventando, de improviso, músicas especialmente compostas para toda e qualquer finalidade, nos mais variados gêneros. Vai aí aquela da mulher de blusa verde atravessando a rua apressada, e o Doido da Garrafa imediatamente compunha um samba, uma valsa, um rock, um rap, um blues, dependendo da mulher de blusa verde, do atravessando, da rua e do apressada. Geralmente ficava uma obra-prima.
Gostava muito de observar as pessoas na rua, do cheiro de café, de cantar e de ouvir música. Não gostava muito do fato de ter pernas, mas acabou se acostumando com elas. De cabelo ele gostava. Em compensação, tinha verdadeiro horror a multidão, bermudão, tubarão, ladrão, camburão, bajulação, afetação, dança de salão, falta de educação e à palavra bife.
Escrevia cartas para ninguém, umas em prosa, outras em poesia, como mero exercício de estilo.
Tinha mania de dar entrevistas para o vento e já sabia a resposta de qualquer pergunta que porventura alguém pudesse lhe fazer um dia.
Ajudava o dicionário a explicar as coisas inventando palavras necessárias, como dorinfinita.
Adorava álgebra, mas tinha particular antipatia por trigonometria, pois não encontrava nenhum motivo para se pegar pedaços de triângulos e fazer contas tão difíceis com eles.
Conhecia mitologia a fundo.
Tinha angústia matinal, uma depressão no meio da tarde que ele chamava de cinco horas, porque era a hora que ela aparecia, e uma insônia crônica a quem chamava carinhosamente de Proserpina.
Sentia uma paixão azul dentro do peito, desde criança, sempre que olhava o mar e orgulhava-se muito disso.
Acreditava no amor, mas tinha vergonha da frase.
Às vezes falava sozinho, Preferia tristeza à agonia.
Todas as noites, entre oito e dez e meia, era visto andando de um lado para o outro da rua, método que tinha inventado para acabar de vez com a preocupação de fazer a volta de repente, quando achava que já tinha andado o suficiente. (Preferia que ninguém percebesse que ele não tinha para onde ir.) Enquanto andava, repetia dentro da cabeça incessantemente a palavra ecumênico sem ter a menor idéia da razão pela qual fazia isso.
Durante o dia o Doido da Garrafa trabalhava numa multinacional, era sujeito bem visto, supervisor de departamento, ganhava um bom salário e gratificações que entregava para a mulher aplicar em fundos de investimento.
No fim do ano ia trocar de carro.
Era excelente chefe de família.
Não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas sempre que ele passava as outras pessoas do mundo pensavam, lá vai o Doido da Garrafa, e assim se esqueciam das suas próprias garrafas um pouquinho.
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ju em 11:49 AM |
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ju em 11:45 AM |
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Sexta-feira, Outubro 24, 2003
"...foi quando ela viu o poeta e percebeu que ele estava disfarçado...mas era o mesmo poeta. O mesmo sorriso, os mesmos olhos, as mesmas idéias. Só a trilha sonora não era a mesma...algumas coisas nunca mudam..."
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ju em 3:19 PM |
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Lá vou eu aderir a uma moda...tudo culpa dessa minha vontade pobre coitada de saber escrever e de uma menina séria que, depois de resolver que eu tenho o pé pequeno e apertar o botão do criar em algum lugar do sotão, me emprestou um cd pra dor de cotovelo [paleativo (?) pro que há de vir...(?)].
O template criamos juntas uma tarde dessas, depois de expulsar um adão do seu paraíso particular [eu e a menina séria na nossa hora má do dia], foi difícil, deu trabalho, e pra falar a verdade demorou bem mais que uma tarde; o cd [Cat Power ¿ The cover records] é realmente muito bom, especialmente a música 07 [I found a reason] ainda que pra dor de cotovelo [que de boa deve ter alguma coisa, embora eu ainda não tenha descoberto o que];...e eu não acho que o meu pé seja tão pequeno assim...[nem a minha mão].
Com vocês (dentro de alguns dias) o meu blog.
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ju em 8:31 AM |
din don:
Quinta-feira, Outubro 23, 2003
Ju... q q cê acha? Melhorou um pouco, né? Acho até que já dá pra postar... não dá não?
Só tá faltando os links e o arquivo...
Bjim...
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ju em 11:52 PM |
din don:
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