a casa de papel inc.

 

 

Domingo, Fevereiro 29, 2004


OBA, LÁ VEM ELA

Domingo de chuva.
Jorge Ben Jor e Los Hermanos.
Mais tarde, o Oscar.
Vontade de comer pizza.
Vontade de ir ao cinema.
Vontade de me apaixonar.
Quantos dias já se passaram?

Criado e editado por ju em 6:16 PM | din don:

 

Sábado, Fevereiro 28, 2004


O SOPRO DO DRAGÃO

Abriu a boca.
Sentiu ele soprar pra dentro dela luzes coloridas.
Fechou os olhos.
Ainda podia sentir a boca dele e, de olhos fechados, também podia ver as bolhas de sabão estourando. A maior de todas.
Luzes coloridas.
Sentiu o cheiro de tudo se misturar com o cheiro dele. E o gosto dele. E a pele dele.
Luzes coloridas.
Em cima do telhado percebeu o tamanho de tudo.
E se permitiu perder o controle. Ele dirigia.
Os olhos fechados.
As luzes coloridas agora dentro dela.
Gritando onomatopéias no pensamento dela.
Deixando o gosto na boca dela.
Ordenando preguiça ao corpo dela.
O corpo dela. A tela dele.
Faziam arte.
Bolhas de sabão. Hoje eu beijei um anjo. Estrelas. O vento e achuva. Quem de nós dois enlouqueceu? Todo mundo sabe. To be continued. Vamos dormir. Ta confortável? No bar. Na escada. No banheiro. Fotografia. Cadê você? Light my fire. Luz dos olhos. Bolas coloridas. Eu não quero terminar. Banco de trás. Me ajuda? Vamos comer Caetano. Éramos quatro.
Telhado. Telhado. Telhado.
Era vidro. Se quebrou.
Tudo isso enquanto ele soprava.
Luzes coloridas pra dentro dela.
Até o fôlego acabar.
Acabou.
(Suspiro)

Criado e editado por ju em 1:02 AM | din don:

 

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004


WAKIN LIFE

Alguém aí entede de sonhos?
Estou cansada de perder os dentes todas as noites.

Criado e editado por ju em 10:43 AM | din don:


O QUÊ SERÁ? [Á flor da pele]

Era só o que faltava.
E não conseguia encontrar.
Revirou os bolsos. Mas os bolsos eram grandes, estavam cheios e bagunçados.
Teve que esvaziá-los.
Tirou coisa por coisa e aproveitou pra jogar algumas fora, que já não serviam mais pra nada.
Procura daqui, esvazia dali. [Lá se foi mais um dia]. Esvazia daqui, procura dali...lá estava ele. Bem lá no fundo. O frasco furta cor. Aproximou-o dos olhos e leu as letrinhas miúdas: coragem.
Tomou uma dose.
Pequena, que ainda era o começo.
Treinou na frente do espelho. Deu uma última olhada no retrato.
_ Alô?
_ Oi...ele está? [frio na barriga]
_ Não. Viajou.
_ Viajou? [pernas tremendo]
_ É.

SILÊNCIO

_ Tá...Obrigado. [faces ruborizando]

Voltou pro espelho.
Mais uma olhada no retrato.
E a partir de agora deixaria os bolsos sempre muito bem arrumados.

Criado e editado por ju em 10:43 AM | din don:


BLOCO DO EU SOZINHO



Toda Carnaval Tem Seu Fim
(Marcelo Camelo)

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado

Mas o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo...
Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
É o fim, é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

N.B.: a primeira vez que ouvi o segundo trabalho do Los Hermanos, não gostei muito. Foi numa loja de cd´s bem cheia e barulhenta, dividindo o walkman com o então amor da minha vida. Talvez pela barulheira na loja, ou talvez porque eu estivesse mais concentrada em outras coisas, não percebi ¿O bloco do eu sozinho¿ como ele era.
Mas isso já faz muito tempo.
Há uns meses atrás conversando com um especialista no assunto ¿Los Hermanos¿ achei que a referida obra merecia uma segunda audição. Foi no carnaval, de madrugada, esperando, que eu pude ouvir de verdade e perceber a poesia nas letras, a beleza nas melodias e o capricho na arte do encarte.


Criado e editado por ju em 10:42 AM | din don:


CINZAS

E aí o carnaval acabou.
E, apesar de eu não ter visto o Dvd do Portishead; apesar de a cidade não estar vazia, das locadoras estarem lotadas e sem promoção de carnaval e apesar da minha falta de paciência pra ver a superprodução dos desfiles, meu carnaval foi quase perfeito.
Pela tranquilidade, pelas companhias, pela chuva, pela pizza de frutinhas, pelo "beijo com leite moça" e pelos filmes.
No meio de oito, destaque para Embriagado de Amor [um filme no sense, sobre um cara no sense que se apaixona por uma mulher no sense, contando uma das histórias mais no senses de todos os tempos. Não entendi nada. Mas adorei] e para A Primeira Noite De Um Homem [um clássico atormentado, totalmente diferente do que eu imaginava], além do ótimo O Homem Que Copiava [viva o cinema nacional] e do já comentado 21 Gramas [que eu espero ver de novo qualquer dia desses].
Agora é esperar pelo Oscar. E pela páscoa.
E se é verdade que o ano só começa depois do carnaval, talvez ainda dê tempo de comprar uma agenda.

Criado e editado por ju em 10:40 AM | din don:

 

Sábado, Fevereiro 21, 2004


ENQUANTO ISSO, NO SÁBADO DE CARNAVAL...



Fugiram de novo.
Todo eles.
Os adjetivos.
Saíram sorrateiramente por uma porta, enquanto eu entrava distraída pela outra, pensando se euia gostar desse, já que teoricamente não gostei do outro. Agora eu só consigo agradecer por não ter que ganhar a vida escrevendo críticas de cinema.
De qualquer forma Alejandro Gonzalez Iñárritu (diretor de 21 Gramas e Amores Brutos), na minha opinião, só precisa de mais um filme pra sagrar o seu estilo como inconfundível.
Quanto à 21 Gramas, o desprezo pela linearidade (Começo? Meio? Fim?) está lá.
A movimentação de câmera propositalmente (?) tosca; fotografia crua, as cores, ora desbotadas ora gritantes, e as sombras também estão lá.
As excelentes atuações (e aqui me atrevo a dizer, mesmo sem ter visto os outros indicados, que Benicio Del Toro merece o Oscar a que foi indicado).
A cenografia suja.
O final emudecedor.
A poesia dura.
Está tudo lá. Misturado num filme excelente.
Assistam.
E liguem os pontos.

Criado e editado por ju em 11:38 PM | din don:


TEM ALGUÉM AÍ?

Naquele dia, antes de dormir, pensando em tudo o mais, lembrou-se dele.
Não exatamente dele.
Mas de como ele punha a sua (dela) mão sob sua (dele) perna, enquanto (ele) dirigia. E ela gostava.
E de que, depois de felizes, voltavam pra casa ouvindo música. E de que eram sempre as músicas, dependendo do humor dele. E de que ela cantava; às vezes só em pensamento, pra não atrapalhar o silêncio. Mas ela sempre cantava.
E de que quando voltavam pra casa tarde da noite, ela esquecia a segurança e deitava-lhe a cabeça no colo. E fingia dormir...fingia dormir só pra estar ali. E desejava que sua casa fosse cada vez mais longe. Só pra estar ali.
Naquele dia.
Antes de dormir.
Pensando em tudo o mais.
Lembrou-se de que fora apaixonada.
Passou.
Apagou a luz.
E dormiu.
Sonhar novos sonhos.

Criado e editado por ju em 11:37 PM | din don:

 

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004




CONFETE E SERPENTINA

Eu não gosto de carnaval.
Eu não gosto de ouvir axé music e marchinhas no último volume em cada esquina.
Eu não gosto de ver como está sendo o carnaval no mundo pela televisão.
Eu não gosto dos bêbados carnavalescos.
Eu não gosto de gente cantando alalaô e sambando com os dedos indicadores apontados pra cima.
Eu não gosto de mela mela.
Eu não acho que o mundo vai se acabar na quarta-feira de cinzas, por isso não entendo essa necessidade de beber todas, cheirar todas e beijar todo mundo. Tudo ao mesmo tempo. E por quatro dias consecutivos.
Eu não gosto de serpentina.

Eu adoro carnaval.
Eu adoro a superprodução das escolas de samba (não, eu não sou doente do pé).
Eu adoro a cidade vazia.
Eu adoro as locadoras vazias.
Eu adoro promoções de carnaval nas locadoras vazias.
Eu adoro quatro dias de feriado sem nada pra fazer a não ser ver todos os filmes do mundo.
Eu adoro saber que só faltam 40 dias pra páscoa.
Eu adoro confete.


Criado e editado por ju em 9:33 AM | din don:

 

Terça-feira, Fevereiro 17, 2004


CONVITE



...vamos?

Criado e editado por ju em 11:12 PM | din don:




LAST NIGHT I DREAMED

Duas almas se encontraram. Ali no meio do mundo.
Se olharam e se cheiraram e resolveram viver juntas.
Mas no meio da história as coisas começaram a dar meio errado.
E as almas se irritaram e se acusaram e se ofenderam e se separaram.
Meio machucadas saíram uma pra cada lado, seguindo sempre em frente, como diz o ditado.
E andaram, andaram, andaram...sempre em frente como diz o ditado.
Mas ora, se o mundo é redondo, um dia, depois de muito andar (sempre em frente, como diz o ditado) as almas de novo se encontram. Lá no outro meio do mundo.
Meio surpresas se olharam.
Meio acanhadas se cheiraram
Meio desconfiadas se lembraram.
Meio cansadas resolveram sentar num bar que tinha logo ali e tomar uma água de coco.
E ai então de novo se olharam.
Mais uma vez se cheiraram.
E resolveram viver juntas, que ficar dando a volta no mundo era muito cansativo.


Criado e editado por ju em 11:06 PM | din don:


HOJE, MEIO DIA E POUCO, DE NOVO

Na terceira série eu escrevi uma carta anônima.
Era uma carta de amor, minha primeira carta de amor; e como toda menina de terceira série que eu conheço, eu tinha vergonha dela.
Por isso era anônima.
Mesmo assim juntei toda a cara de pau que eu tinha (o que, na terceira série, não era muita coisa) e convoquei o fiel Álvaro, meu primeiro melhor amigo, pra entregar a maldita ao digníssimo destinatário, também seu amigo, com a promessa de que nunca, jamais, nem morto, revelaria sua procedência.
Não foi propriamente um sucesso.
Na verdade, o insensível objetivo da minha inocente paixão achou a minha singela carta (cheia de corações) uma afronta. E o meu melhor amigo apanhou. Muito. Por que como bom melhor amigo que era desceu do muro e se recusou terminantemente a me delatar.
Talvez por isso, por ter feito, ainda que sem intenção, um amigo apanhar; por isso, porque aqui se faz aqui se paga, eu mereça os meus anônimos. Os bons e os ruins.
Esse post é dedicado aos (direta ou indiretamente) meus anônimos ruins e às suas mensagens destrutivas.
Aproveitem, porque isso é tudo o que posso fazer por vocês.

Criado e editado por ju em 11:04 PM | din don:

 

Sábado, Fevereiro 14, 2004


MORE THAN WORDS



Eu tenho um problema com os adjetivos.
Muitas vezes eles não acompanham a intensidade dos meus sentimentos em relação às coisas. Às vezes são demais. Quase sempre são de menos. E não são raras as vezes em que não encontro palavras pra explicar o quanto gostei de uma coisa, o quanto ela me emocionou ou mexeu comigo de alguma forma, como eu achei...como ela é...somem as palavras certas. Brincando de esconde-esconde. Zombando de mim.
Foi assim com Paraíso (o filme), que ainda hoje não consegui definir. Foi assim com Gabriel Garcia Márquez, meu escritor favorito, e seu Cem Anos de Solidão (como definir aquilo?). Foi assim com Saramago e seu jeito (...) de escrever. Com Sigur Rós e sua música (...). e com muitos dos 830 filmes que eu me lembro de ter visto na vida.
Foi assim com Sylvia Plath.
Foram dias de hesitação antes de começar realmente a ler o seu Redoma de Vidro. Precisei de um incentivo maior da menina séria. E agora estou aqui. Sem saber o que dizer sobre ele. Ou sobre ela. Sem querer cair no lugar comum do ¿fantástico¿ ou ¿maravilhoso¿.
Enquanto lia o livro pensava em que tipo de filme ele seria. Imaginei as atrizes, a trilha sonora, a fotografia. Mas nem isso me ajudou.
Não sei adjetivar A Redoma de Vidro.
Não sei o que dizer sobre Sylvia Plath. Ou sobre sua prosa.
Mas eu quero mais.
Que venham então as suas poesias.

Criado e editado por ju em 3:10 PM | din don:


O CD

Minha mania de trilhas sonoras está dando frutos.
Sempre tive essa idéia de fazer coletâneas para momentos específicos e depois de gravar um cd para uma conhecida especial (Run, Rita, Run) resolvi que agora, de posse de um gravador de cd, dava pra começar a fazer alguma coisa.
A idéia era começar com uma série de quatro cds "temáticos": um pra dirigir (Run, Rita, Run), um pra namorar (Ask Me), um pra pessoas apaixonadas e felizes e um pra cortar os pulsos em x com classe.
Ontem a noite, depois de muito trabalho pra escolher apenas vinte músicas, e uma pequena decepção por não ter conseguido uma música em especial, terminei o cd "pra namorar".
Só falta agora testar...
Eis a capa:


Criado e editado por ju em 3:07 PM | din don:



EMAILS

Hoje eu recebi três emails especiais.
O primeiro trazia um texto supostamente escrito pela Rita Lee...não sei se o texto é de verdade dela, mas sei que gostaria muito que fosse meu.
O segundo trazia um texto de Caio Fernando Abreu. Desesperador. Lindo. Meu primeiro ¿Caio Fernando Abreu¿. Não vou esquecer.
O terceiro trazia um frio na barriga.
O texto de Rita Lee eu publico a seguir.
O de Caio Fernando Abreu chama-se ¿O mar mais longe que eu vejo¿, procurem por ai (mas procurem mesmo, antes que seja tarde. Daqui a pouco vai começar a chover).
O frio na barriga eu vou guardar comigo mais um pouco...ou quem sabe mais um muito.

"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os dois irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico.
O laudo médico registrou "vestígios himenais dilacerados", e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo.
Realmente esqueceu, morrendo tuberculosa. Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres. Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte-americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.
Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos ¿ um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que imporão um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e doçura de seus corações."


|Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda. E meu peito não é de silicone; sou mais macho que muito homem|

Rita Lee


Criado e editado por ju em 12:00 AM | din don:

 

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004




CONSELHOS DE DANUZA

"Tenha coragem para passar um rodo na sua vida e tirar dela, definitivamente:
Os que não tem mais nada a ver com você
Os deprimidos por opção
Os que você aturava quando era uma idiota e agora não agüenta mais
Os que fazem dieta e só falam nisso
Os que só vão aos lugares da moda
Os invejosos
Os que só pensam em fazer negociatas com o dinheiro público
Os que não gostam de você de verdade
Os que você sempre odiou, mas fingia que tudo bem
Os politicamente corretos de carteirinha
As que botam camiseta, jeans e sandália e ficam elegantíssimas, enquanto você gasta uma grana preta e se acha sempre um lixo
O guarda que quer levar algum porque você estava dirigindo falando no celular
Os ex-namorados que tiveram a ousadia de serem felizes depois de se separarem de você
Os que não te tratam como uma rainha
Os que comem e não engordam
Os que querem te obrigar a fazer o que você não quer
Os que fazem você esperar, seja lá o que for
Aquela amiga que saiu pra jantar com o namorado que você largou (por outro) há quinze anos
Os intolerantes e insuportáveis como eu"


N.B.: um dos meus trechos preferidos do novo livro de Danuza Leão (que além de tudo ainda é mãe da super Pink Winer), Na sala com Danuza 2...não que eu concorde com tudo que ela diz, mas que o livro é muitíssimo divertido, ah isso é.

Criado e editado por ju em 11:58 PM | din don:

 

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004

ENCONTRO MARCADO

Eu ia.
Juro que ia.
Mas de repente um papo com duas amigas e um sanduíche rápido me pareceu mais divertido e menos complicado.
Eu ia.
Provavelmente.
Mas faltou o empurrãzinho decisivo que o coração costuma dar quando estamos a ponto de pular de algum lugar sem volta.
Eu ia.
É...quem sabe...
Talvez eu fosse.
Mas, definitivamente, estou sem paciência para fantasiar amores de uma noite só.

"...eu quero beijos intermináveis..."

Criado e editado por ju em 9:38 AM | din don:


SEM VERGONHA



O Sem Vergonha é um projeto do fotógrafo de moda Ernesto Baldan, que reune cerca de 60 fotografias de 13 personalidades, tais como os atores Jonathan Haagensen e Reynaldo Gianecchini, as atrizes Roberta Rodrigues, Carolina Dieckeman, Graziela Schmidt e Aline Moraes, a cantora Elza Soares, e as modelos Luciana Curtis e Suyane, representando personagens típicos do cotidiano popular nacional. Baldan clicou esse povo todo em situações bem populares, e o resultado, no mínimo curioso, caiu nas minhas mãos ontem a noite totalmente por acaso.
Com texto do antropólogo Hermano Vianna, atacando a mania de modernidade e de importar estereótipos do povo da moda, o objetivo do catálogo é, basicamente, valorizar a cultura e o comportamento do brasileiro. Além da iniciativa de ajudar a quem precisa (a renda da venda do catálogo - R$ 5 - será revertida para o projeto Sambando com o Pé no Futuro, da Mangueira).
A seguir um trecho do texto:

¿Se te envergonhei, já peço desculpas.
Se te diverti, era o objetivo...Tudo só pra Ter sua atenção.
Não há porque se envergonhar dos nossos costumes.
Não há porque se preocupar em ser vulgar e nem se incomodar com a malícia e irreverência da nossa cultura.
Se já até ecitamos a ¿tendência¿ da heroine chic (hirrc!), por que não se divertir com a ¿boquinha da garrafa¿ (com cerveja)? Ou não podemos ser alegres para sermos chic? Puro engano acreditar que a tristeza combina com elegância, que a loura é burra, que ser gostosa é ser vulgar, que Marilyn é in e Carla não.
Não fique triste...foi só uma brincadeira.¿

Ernesto Baldan



Criado e editado por ju em 9:36 AM | din don:

 

Terça-feira, Fevereiro 10, 2004


THINK ABOUT IT










Criado e editado por ju em 10:30 AM | din don:

 

Domingo, Fevereiro 08, 2004


MUSIC [OU, O QUE MAIS TENHO OUVIDO NO MOMENTO]

Violent Femmes



Descobri Violent Femmes passeando pelos blogs alheios e já se tornou uma paixão com ares de amor pra toda a vida. Experimentem.

The Gentle Waves



Essa banda é um projeto paralelo da vocalista e violancelista do Belle&Sebastian, Isobel Campbell.
Levando o conceito de lirismo do B&S a um nível mais intimista ainda, Isobel canta sussurrando angelicamente embalada por violino, harpa, violancelo, flauta, "violão, clarineta, com delicadas influências de bossa nova, jazz, folk e grupos femininos dos anos 50. Perfeito pra dançar de rosto colado, embalar bebês ou chorar desesperadamente.
"Falling From Grace" não é só meu disco preferido da banda, como também tem uma das capas mais lindas que eu já vi. E, até oos críticos concordam, não deve nada às melhores coisas feitas por Echo and the Bunnymen e The Smiths.

Criado e editado por ju em 7:44 PM | din don:


MAIS UMA DESCOBERTA

www.lodger.tv

N.B.: Querida Clara: Obrigado

Criado e editado por ju em 7:42 PM | din don:


SOBRE TODAS AS COISAS

Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz
Mas já não há caminhos pra voltar...

Criado e editado por ju em 3:43 PM | din don:


TALK TO ME, TELL ME YOUR DREAMS

Querer é muito pessoal.
Impetuoso
Inconseqüente.
Inconveniente, até, às vezes, quando sai desembestado querendo o que vê pela frente.
Tão raro, por outro lado, se é um querer de verdade.
Imprevisível.
Dia quer, dia não quer.
É um verbo de lua.

Trecho de ¿Luna Clara e Apolo Onze¿ [Adriana Falcão]

Criado e editado por ju em 1:22 AM | din don:

 

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004


SUEDEHEAD

Porque elas ainda estão lá, se tudo mudou?
Talvez pelos mesmos motivos que aquela placa também ainda está na parede.
Ou não.
Com certeza não.
Devem haver motivos pra elas ainda estarem lá. Mas não são os meus motivos.
Tudo mudou?
Why do you telephone?

Criado e editado por ju em 10:20 AM | din don:

FELIZ ANIVERSÁRIO BOB



"...don't let them change you/or even rearenge you...say somenthing..."

Criado e editado por ju em 10:16 AM | din don:


ANGELITA

Há três anos, cinco meses e quinze dias atrás, na porta do velório do pai que eu escolhi pra mim, eu prometi a mim mesma que jamais iria em outro velório.
Observando aquele estranho ritual de fora, com aquela dor desnorteante por dentro, me pareceu que aquela era a situação mais desprovida de sentido de todas as situações sem sentido que eu conhecia.
E por três anos, cinco meses e quinze dias eu me mantive firme na minha, às vezes incompreendida, decisão.
Mas ontem eu quebrei, de bom grado, a minha promessa.
Em nome de um imenso amor.
Por ele, por ele, por ela, por ele e pelos dois.
E olhando em volta, entre pessoas queridas, conhecidas e desconhecidas, eu chorei por um minuto ou dois. Em silêncio.
Não por Angelita, que parecia sorrir entre as flores que lhe emolduravam o rosto.
Mas pela tristeza sem remédio dos que ficaram.
Pela minha própria tristeza sem remédio em não vê-los e vê-los com lágrimas conformadas nos olhos. [Acaso existem lágrimas conformadas?].
Por mim que, calada, não sei aceitar a morte.
Por mim, ao perceber que em nome de outros amores, tão intensos quanto este, terei sim de quebrar minha promessa mais vezes.
Vá com as flores, vó Angelita.
E fiquem bem, meus imensos amores.

Criado e editado por ju em 9:14 AM | din don:


AMORES POSSÍVEIS

Encontraram-se num velório. E conheciam-se há muito tempo. Foi ela quem percebeu primeiro as semelhanças nas dores de ambos. Mas foi ele quem puxou o assunto, quando foram deixados a sós. Olharam-se. Conversaram. Apaixonaram-se. E foram felizes para sempre, numa casa onde as crianças pintavam as paredes com tinta guache e usando os próprios dedos.

Encontraram-se num velório. Mas já se conheciam há muito tempo. Foi ela quem, sem querer, sentiu o frio na barriga. Mas foi ele quem, sem querer, deu o sinal verde com os olhos, quando foram deixados a sós. Olharam-se. Conversaram. Poderiam ter se apaixonado. Mas ele iria embora em algumas semanas. Ela, em alguns minutos. Nunca mais se viram.

Encontraram-se num velório, pois se conheciam há muito tempo e tinham amigos em comum. Foi ela quem percebeu [fantasiou?] primeiro. Mas quem sabe ele também tenha percebido [fantasiado], apesar de tudo. Abraçaram-se como dois conhecidos. Olharam-se como se pela primeira vez tivessem se visto. Conversaram como dois amigos. E trocaram telefones quando foram deixados a sós. Quem sabe se apaixonem, apesar de tudo. Ele disse que ia aparecer. Ela está esperando.

Criado e editado por ju em 9:14 AM | din don:

 

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004


DEDOS EM HIST

A escritora paulista Hilda Hilst morreu na madrugada de hoje, aos 73 anos, em Campinas (interior de São Paulo), vítima de falência de múltilpla de órgãos e sistemas.
Hilda escrevia verso, prosa, música e teatro e quem quiser saber um pouco, ou muito, mais sobre ela pode começar pelo site www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html.

Minha poesia preferida de Hilda:

Filó, a fadinha lésbica

Ela era gorda e miúda.
Tinha pezinhos redondos.
A cona era peluda
Igual à mão de um mono.
Alegrinha e vivaz
Feito andorinha
Às tardes vestia-se
Como um rapaz
Para enganar mocinhas.
Chamavam-lhe "Filó, a lésbica fadinha".
Em tudo que tocava
Deixava sua marca registrada:
Uma estrelinha cor de maravilha
Fúcsia, bordô
Ninguém sabia o nome daquela cô.
Metia o dedo
Em todas as xerecas: loiras, pretas
Dizia-se até...
Que escarafunchava bonecas.
Bulia, beliscava
Como quem sabia
O que um dedo faz
Desde que nascia.
Mas à noite... quando dormia...
Peidava, rugia... e...
Nascia-lhe um bastão grosso
De início igual a um caroço
Depois...
Ia estufando, crescendo
E virava um troço
Lilás
Fúcsia
Bordô
Ninguém sabia a cô do troço
Da Fadinha Filô.
Faziam fila na Vila.
Falada "Vila do Troço".
Famosa nas Oropa
Oiapoc ao Chuí
Todo mundo tomava
Um bastão no oiti.
Era um gozo gozoso
Trevoso, gostoso
Um arrepião nos meio!
Mocinhas, marmanjões
Ressecadas velhinhas
Todo mundo gemia e chorava
De pura alegria
Na Vila do Troço.
Até que um belo dia...
Um cara troncudão
Com focinho de tira
De beiço bordô, fúcsia ou maravilha
(ninguém sabia o nome daquela cô)
Seqüestrou Fadinha
E foi morar na Ilha.
Nem barco, nem ponte
O troncudão nadando feito rinoceronte
Carregava Fadinha.
De pernas abertas
Nas costas do gigante
Pela primeira vez
Na sua vidinha
Filó estrebuchava
Revirando os óinho
Enquanto veloz veloz
O troncudão nadava.
A Vila do Troço
Ficou triste, vazia
Sorumbática, tétrica
Pois nunca mais se viu
Filó, a Fadinha lésbica
Que à noite virava fera
E peidava e rugia
E nascia-lhe um troço
Fúcsia
Lilás
Maravilha
Bordô
Até hoje ninguém conhece
O nome daquela cô.
E nunca mais se viu
Alguém-Fantasia
Que deixava uma estrela
Em tudo que tocava
E um rombo na bunda
De quem se apaixonava.

Moral da estória, em relação à Fadinha:
Quando menos se espera, tudo reverbera.

Moral da estória, em relação ao morador
da Vila do Troço:
Não acredite em Fadinhas.
Muito menos com cacete.
Ou somem feito andorinhas
Ou te deixam cacoetes.

(Hilda Hilst, Bufólicas, 1992)

Criado e editado por ju em 11:35 AM | din don:

 

Terça-feira, Fevereiro 03, 2004


ELETRICAL STORM

Quando ouve os trovões e vê o clarão dos relâmpagos.
Quando venta forte e a chuva faz os rios transbordarem.
Você pensa em mim?
Você ainda pensa?

Criado e editado por ju em 8:28 AM | din don:

 

Domingo, Fevereiro 01, 2004




PROCURA-SE

Se alguém souber alguma coisa sobre esse filme, por favor, conte-me.

Criado e editado por ju em 12:09 AM | din don:




ROMEU+JULIETA

O filme é de 1996 e eu já devo ter assistido, pelo menos, umas dez vezes.
A edição criativa; Leonardo di Caprio começando a botar as asas de fora; a trilha sonora impecável; as excelentes atuações de John Leguizamo [Teobald] e Harold Perrineau Jr [Mercutio]; a adaptação perspicaz do roteiro para os dias atuais e a direção inusitada de Baz Luhrman são motivos suficientes.
E aí hoje eu ainda encontrei uma música nova, e linda, na trilha [Exit Music ¿ Radiohead].
Cinema.
A cura para todos os meus males.
Está provado. E comprovado.

Criado e editado por ju em 12:04 AM | din don:

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