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Quarta-feira, Abril 28, 2004
AS CARTAS, O BILHETE E A ROSA
Querida Ana
Melancolia e Nostalgia me visitaram ontem à noite e juntas encontramos suas cartas. Estavam todas numa caixa, amarradas com uma fita vermelha de Nosso Senhor do Bonfim. Cheiravam a guardado e a boas lembranças. Junto com elas estavam cartas de Danilo e Igor em seus primeiros anos de faculdade; cartas de Lucas, quando ele ainda era o pernalonga; convites de casamentos e formaturas; uma rosa que veio da Bahia dentro de um envelope; bilhetes, cartas e cartões de Rine; cartas de Brasília, Ribeirão Preto, Goiânia, Uberlândia, Rio de Janeiro, São Paulo, Araguaína; cartas de muito longe e daqui do lado; cartões postais de Londres e Nova Iorque; cartões de feliz aniversário; um bilhete de Bianca, me desejando felicidades, que me encheu os olhos d¿água; uma carta escrita por Mariana aos cinco (seis?) anos de idade, que fez a água transbordar; e as cartas de Tiago...as cartas de Tiago que tanto me faziam feliz. Sonhar não custa.
Querida Ana, li todas as suas cartas e todos os seus poemas e fiquei com uma puta saudade do tempo em que passávamos dias escrevendo aqueles jornais, para dar conta uma pra outra dos acontecimentos da vida. Observei o quanto mudamos desde a última vez que você esteve aqui e como a minha admiração por você só cresceu. Ri muito, imaginando, com a minha criatividade dramática, que daqui há muitos outros anos nossos filhos e netos recolherão essa correspondência e escreverão um livro, contando sobre a amizade que existia entre essas duas escritoras famosas (sonhar não custa).
Querida Ana, por um momento, em meio àquelas folhas manuscritas eu desejei que a tecnologia não tivesse evoluído tanto, e que não existisse ainda a comunicação por emails, para que voltássemos a escrever aqueles jornais, e selá-los e enviá-los e esperá-los como antigamente. Eu sempre gostei de cartas. Bem mais que de emails. E sempre fui dramática.
Querida Ana, foi com carinho que enlacei novamente as suas cartas com a fita vermelha do Nosso Senhor do Bonfim, e as guardei de volta na caixa, junto com as outras lembranças boas; junto com as cartas de Danilo, Igor, Lucas, Rine, Majúry, Mônica, Raquel, Iúska, Clarissa; junto com a rosa que veio da Bahia num envelope; junto com o amor puro de Mariana; junto com o bilhete de Bianca; junto com as cartas de Tiago. E pensei em como o tempo é estranho.
Querida Ana, tenho dormido bem todos os dias, mas hoje quando me olhei no espelho achei que estava com olheiras. Amanhã vou perder um dos meus estágios e ficar meio desempregada; mas contrariando as reações esperadas de quem vai ficar meio desempregado, estou muito feliz com isso. Daqui a três meses vou finalmente me formar, e também estou muito feliz com isso. Há três dias estou esperando um email importante, mas acho que ele não vai vir. Tem chovido quase todos os dias e eu tenho pensando muito em que tipo de pessoa eu quero ser. Assim, a vida vai bem, e o amor, sempre nessa toada. Quis escrever essa carta pra você. Mas já eu mesmo me rendo à tecnologia, e enquanto escrevo penso em uma conversa, num fim de tarde, em um barzinho em Nikiti. Sonhar não custa.
Com amor
Ju
P.s.: sublime é tu!
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ju em 12:08 PM |
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Terça-feira, Abril 27, 2004
CONTINUANDO...
Pronto. Consegui a capa e quero mostrar como é linda.

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ju em 9:59 AM |
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Segunda-feira, Abril 26, 2004
DIVULGANDO
Quentinho, saindo do forno, o cd Another Pleasant Evenning, da Anno Zero, banda do meu mais que querido amigo André Melo (sim, eu estou estourando de orgulho!). São nove músicas, mais uma faixa interativa com o vídeo do acústico. A venda na Chimpanzé, na Moral, na Toccata, na Casa do Cd, com a banda e com a Aline.
não consegui uma foto da capa, roubei essa do Juliano.
N.B.: o próximo show da Anno Zero acontece dia 30, no Espaço Cultural Trilhos.
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ju em 10:10 AM |
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PORQUE ME FEZ RIR
N.B.: ...muito e descontroladamente. Por uns 5 minutos.
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ju em 9:29 AM |
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ANEL
Era pouco?
Se acabou?
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ju em 9:27 AM |
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Sábado, Abril 24, 2004
SPECIAL NEEDS
Meia noite e meia. Vou passar a noite aqui com o computador ligado ouvindo Placebo. "Without You I'm Nothing", "My Sweet Princess" e "Special Needs" vão tocar várias vezes. Talvez mais tarde eu acrescente Radiohead e Muse ao meu set list. E quando o dia estiver amanhecendo talvez eu troque tudo isso por Chico Buarque. E aí talvez eu durma, porque agora mesmo estou com os olhos secos e sem uma gota de sono. E nem é porque eu lavei o cabelo quase onze horas da noite e não quero dormir com ele molhado pra não pegar outra gripe. Também não é insônia. Eu só não estou com sono.Não quero dormir. Tenho mais o que pensar. E acredite, de verdade mesmo: hoje só existe um lugar onde eu gostaria de estar além de bem aqui onde eu estou.
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ju em 11:35 PM |
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GAROTA ENCHAQUECA
Sim, meu humor tem andado estranho.
Mas não, eu não estou com TPM adiantada, ou atrasada (whatever).
Na verdade, nem se trata de um mau humor contínuo e indiscriminado.
O que acontece é que nas últimas semanas algumas coisas, algumas pessoas e algumas falas têm me irritado muito e muito facilmente.
É como se de repente e de uma só vez eu tivesse perdido toda a paciência que eu consegui juntar na vida. É uma espécie de azia, causada talvez por todos os "foda-se", "vá pro inferno" e coisas piores, que eu engoli com a ajuda de doses da tal paciência ao longo do tempo.
(...) Foi isso! Gastei toda a dita cuja da paciência como água, pra ajudar a descer, pra desentalar. E agora essas pessoas na sala de jantar...
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ju em 7:57 PM |
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Sexta-feira, Abril 23, 2004
DEPOIS DOS CEGOS, O TEMPO...E O VENTO
"O tempo passou. Dizem que o tempo é remédio pra tudo. O tempo faz a gente esquecer. Há pessoas que esquecem depressa. Outras apenas fingem que não se lembram mais."
Erico Veríssimo em O Tempo e o Vento, O continente, Tomo II
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ju em 7:43 AM |
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DIVULGANDO
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ju em 7:40 AM |
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Quarta-feira, Abril 21, 2004
MAIS UM
Eu já devia ter me acostumado, considerando que já está se tornando rotineiro, com esse negócio de despedida. Mas acho que já contei que tenho problemas de aprendizado. Resultado: toda vez que algum amigo resolve que, por algum motivo, lá é melhor que aqui a sensação é a mesma.
Vez do Elias Neto. E apesar da nossa amizade não ter a freqüência do todo dia, nem a profundidade do quase irmãos, sei que vou sentir falta dele (no mínimo eu poderia perguntar: quem vai me chamar de Ju Nega?) E como não posso sustenta-lo, adota-lo e nem muito menos pari-lo novamente me restou escrever esse texto e publica-lo aqui, onde sei que ele vai ler, pra dizer que eu deixo ele ir por que é o jeito.
Mas ressalto que é sob protestos.
Babidu, eu e Elias, numa noite dessas que vão fazer falta.
Foto: Kátia Barbosa
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ju em 11:44 AM |
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AMOR E OUTROS BICHOS #1
Chamava-se Alice. Mas ainda não acertara o buraco para o país maravilhoso.
Ao invés de coelhos brancos e gatos sorridentes, veio-lhe um passarinho contar que se ela sofria era por acreditar no grande amor. Tinha cá pra mim - ela suspirou.
Seu primeiro amor casara-se de fato, com outra mulher - infelizmente ressalta-se - numa tarde qualquer, no mês do seu aniversário. Um presente de grego, por assim dizer, a notícia.
Justo ele, que ensinara a ela tudo sobre quase beijos, sobre abraços de despedida, sobre a distância e sobre chorar descontroladamente em silêncio no banheiro cor-de-rosa. E olha que chorar descontroladamente em silêncio foi uma das coisas mais difíceis que ela já fizera na vida.
Seu primeiro amor, que talvez nunca soubesse que ela tinha lhe atribuído esse título, e que a amarrou com a fita elástica da lembrança eterna a uma música que ela não gostava, mas que ouvia e cantava com os olhos molhados e o coração tremelicando.
Isso foi há muito tempo, mas foi nele que ela pensou quando veio o passarinho lhe dizer que se ela sofria era por acreditar no grande amor.
Eu acredito em outras coisas - ela quis argumentar. Mas o passarinho a interrompeu com uma história sobre doces. Ou talvez isso tivesse sido antes... Ela não se lembrava bem da cronologia das coisas. Não tinha boa memória.
Começou a considerar a possibilidade de não acreditar mais no grande amor. Mas o pensamento perdeu-se por outros caminhos e ela acabou desistindo.
Teve medo de, no fim, não acreditar em mais nada.
Abriu a janela e foi fazer brigadeiros.
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ju em 11:42 AM |
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Sábado, Abril 17, 2004
POST DE QUANDO ELA ESCREVEU PRA ELE UMA CARTA IMAGINÁRIA, ENQUANTO VOLTAVA PRA CASA, DEITADA NO BANCO DE TRÁS.
Deitada no banco de trás ela via as estrelas passando a 80 (?) quilômetros por hora, de cabeça pra baixo, pela janela fechada, e enquanto pensava no lá longe enviou a seguinte carta:
Querido Lá...
O céu não está lindo?
Eu acho que estou com saudades.
Sua...
Aqui
N.B.: título em homenagem aos divertidíssimos títulos para os belíssimos posts de André Gonçalves
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ju em 9:27 PM |
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NOVA AQUISIÇÃO
AM 180
(Grandaddy)
Don't change your name keep it the same
for fear I may lose you again
I know you wont its just that I am unorganised
And I want to find you when something good happens
if you come down we'll go to town
I haven't been there for years
but I'd be fine wasting our time
not doing anything here
just doing nothing
We'll sit for days talk about things
important to us like whatever
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ju em 9:25 PM |
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Sexta-feira, Abril 16, 2004
ENQUANTO ISSO...
Abriu o olho esquerdo e viu que os gigantes tinham ido embora.
Ela sabia que não tinha sido de uma hora pra outra. E sabia que eles provavelmente voltariam. Mas agora eles tinham ido embora e ela podia ver o céu. Azul.
Desistiu, por hora, de procurar alguém que a ensinasse a derrubar gigantes. Eles tinham ido embora. Iam voltar? Quando voltassem...uma coisa de cada vez.
Ao invés disso voltou pra casa. E deitada de barriga pra cima começou a escrever uma história. No teto, que era onde mais gostava de escrever. E enquanto escrevia voltou a pensar nos gigantes.
Talvez o segredo não fosse como derruba-los. Talvez se da próxima vez ela conseguisse faze-los sentar e conversar com ela descobrisse que eles tinham coisas interessantes a dizer. Coisas que daqui de baixo ela não podia escutar. Quem sabe. Da próxima vez talvez experimentasse. Mas não ia ficar esperando pelos gigantes, como se pedisse a sua volta que isso também já não cabia em lugar nenhum. E ademais gostava de poder ver o céu. Azul.
Achou que tinha terminado o primeiro parágrafo.
Mas então ficou na dúvida.
Resolveu colocando carinhosamente as reticências, bem ali depois da última palavra.
Não estava assim com tanta pressa...
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ju em 7:59 AM |
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Quinta-feira, Abril 15, 2004
DIVULGANDO
Em Olinda: Lado 2 Estéreo
Em Fortaleza: Káfila
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ju em 8:50 AM |
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Terça-feira, Abril 13, 2004
(...)
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Então penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
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ju em 7:44 AM |
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Domingo, Abril 11, 2004
EVERYONE WANTS TO BE FOUND...
Quem sai aos seus não degenera.
E depois de Virgens Suicidas [que eu esperei tão ansiosamente quanto] Sofia Coppola conseguiu fazer de Encontros e Desencontros um dos filmes mais bonitos que eu já vi na vida.
Uma beleza simples, num filme simples.
Simples e bonito como conversar até pegar no sono.
Simples e bonito como se divertir uma noite inteira com alguém.
Simples e bonito como se apaixonar.
Simples e bonito como um abraço carinhoso de despedida (?).
Simples e bonito.
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ju em 12:33 PM |
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Sexta-feira, Abril 09, 2004
TRILHA SONORA...
...Sexy Boy Sexy Boy
Où sont tes héros aux corps d'athlètes
Où sont tes idoles mal rasées, bien habillées
Sexy Boy Sexy Boy
Dans leurs yeux des dollars
Dans leurs sourires des diamants
Moi aussi un jour je serai beau comme un dieu
Sexy Boy Sexy Boy
Apollon 2000 zéro défaut vingt et un an
C'est l'homme idéal charme au masculin
Sexy Boy Sexy Boy...
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ju em 4:23 PM |
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Quarta-feira, Abril 07, 2004
OLHA SÓ O QUE EU ACHEI!!!!
N.B.: há uns dois anos atrás eu escrevia uma coluna pro Fullrock. Na verdade começou no extinto Na Noite, e depois foi pro Fullrock. Eu adorava escrever essa coluna, mas acabou que o site foi por um caminho e os meus textos por outro, e a coluna foi pro passado.. Nesse meio tempo o HD do Fullrock queimou, e lá se foram todos os meus textos, que eu, despreparadamente, não salvei em outro lugar. Pelo menos era o que eu achava...hoje, agorinha, mexendo nuns disquetes velhos, encontrei esse texto. Se eu bem me lembro, e eu bem me lembro, foi uma das últimas colunas.
Tá aí, pra matar a saudade de quem lia.
"...E POR FALAR EM SAUDADE
[set/02]
Ainda não consegui descobrir o que é pior; sentir saudade de alguém que você não pode ver nunca mais ou sentir falta de alguém que você pode ver qualquer hora. Sempre fui uma pessoa muito saudosista e pra mim saudade é, quase sempre, uma coisa ruim de se sentir. Mas eu nuca tinha parado pra pensar, e principalmente pra decidir, qual o pior tipo de saudade, até que um dia me fizeram essa pergunta...
Ultimamente minha ¿porção¿ saudosista tem se tornado quase uma patologia. Tenho sentido muita saudade, umas até boas de sentir, outras nem tanto...Saudade de tudo e de todos os tipos. Desde a saudade quase insuportável do meu tio, que morreu há dois anos, até a saudade besta do meu peixe dourado, que morreu há duas semanas.
Saudade de grandes amigos que foram embora; saudade de ser criança, de jogar Atari, do meu cachorro Costelinha, do Balão Mágico, de todas as casas em que já morei (sete ao todo!)...Saudade da minha avó, de tomar café com leite m Piripiri (aqui não tem tanta graça), de fazer fogueira com os primos e amigos da vida toda em Luis Correia, de brincar naquela praça que tem os jardins de Bourle Max e de ir comer sanduíche num vagão de trem. Saudade de alguns dos melhores amigos que já tive e que hoje não sei onde estão; saudade do meu primeiro amor (que hoje mora em Boston) e do meu amor mais recente (que ainda mora no meu coração)...
Sinto saudade de lugares (Araguaína, Fortaleza, Piripiri, João Pessoa, Baia Formosa e Pipa, mais que tudo); de coisas (meus discos de vinil, desenho animado antigo com trilha sonora clássica, álbum de figurinha do Amar é... minha camiseta tamanho GG do Led Zeppelin, perdida em alguma viagem); de épocas que eu não vivi (já pensou, viver na mesma época que os Beatles, The Doors, Led Zeppelin, Black Sabhat e afins?) e de pessoas...Especialmente de pessoas; as que eu não vou ver nunca mais e as que, quem sabe, qualquer dia desses apareçam por aí...
Saudade. Do latim solitate (soledade, solidão). No Aurélio duas definições: 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia; 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. ¿Lembrança suave¿ e ¿Pesar¿. A saudade; substantivo feminino, o que talvez explique a complexidade do sentimento...
...Tava com saudade até de escrever. Escrever essa coluna (gostaram do site novo?); escrever e-mail pros amigos (tava sem internet!), bilhete no meio da aula (tava de férias) e cartas de amor (zero namorados!). Pelo menos uma dessas aí eu já matei.
No mais, a gente se vê; aqui no site de quinze em quinze dias e por aí qualquer dia desses...
P.S.: Essa coluna foi escrita ao som de Dion & The Belmonts, Nina Simone, Janis Joplin e The Doors."
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ju em 10:25 AM |
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Terça-feira, Abril 06, 2004
UM DE QUINZE
Lembra que eu disse que queria ouvir um disco maravilhoso?
Pois é...
N.B.: acho que eu não te contei o quanto você me fez feliz com isso...muito, muito, muito obrigado pelo presente.
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ju em 8:15 AM |
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Segunda-feira, Abril 05, 2004
PROGRESSO(?)
Aproveitou-se do fato de que carnaúbas não podem gritar por socorro; chegou escondido, sem fazer barulho e arrancou, com um só golpe e na surdina, o coração da avenida.
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ju em 3:15 PM |
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PAIXÃO
Eu sempre gostei de filmes bíblicos.
E, mais por gostar de histórias do que propriamente pela religião, a Bíblia sempre me causou curiosidade.
Venho de uma família essencialmente católica, mas depois de fazer a primeira comunhão, aos 11 anos, comecei a desconfiar que alguma coisa estava errada com as escrituras, do modo como elas me eram apresentadas. No mínimo me parecia uma história mal contada.
No segundo grau as aulas de história deixaram de ser descritivas para se tornarem discursivas. E várias luzes começaram a piscar na minha cabecinha. Foi quando eu comecei a pensar melhor sobre a igreja católica e sobre as religiões em geral. Foi quando eu comecei a pensar que se a Bíblia tinha sido escrita por vários homens diferentes, com visões e emoções diferentes, e que se cada pessoa que lê um texto pode dar a ele sua própria interpretação, talvez tudo aquilo que eu tinha aprendido sobre Deus e religião não fosse enfim verdade absoluta.
Mais tarde percebi que embora a igreja católica e seus rituais tenha a sua importância, a minha fé e as minhas crenças não precisam estar, necessariamente, ligadas a ela. Descobri que o meu ¿Deus¿ não precisava ser aquele que os padres diziam que era.
Quanto a Jesus Cristo, tornou-se pra mim, mais que uma criatura santa, um personagem histórico inegavelmente extraordinário. Seria preciso afinal, um não sei o que de especial para fazer e suportar tudo aquilo que ele fez e suportou.
E foi esse Jesus Cristo que eu vi em A Paixão de Cristo, de Mel Gibson.
Sim, o filme é violento. Tanto que em certos momentos, como bem disse minha amiga Rine, não adianta fechar os olhos. Mas não é só isso: é muito mais e muito menos, dependendo de como você enxerga.
Não enxerguei, por exemplo, o tão falado anti-semitismo, que gerou tanta polêmica. Enxerguei sim um bom roteiro e uma fotografia belíssima. Assim como me surpreendi com a direção de Mel Gibson e como me emocionei com a trilha sonora.
A idéia de usar os diálogos nas línguas da época é, na minha opinião, uma das melhores idéias. Sem falar nas atuações, todas boas o bastante pra não comprometer o resto.
Sim, o filme é violento. Mas não só fisicamente violento. É um filme cru. Feito pra chocar, que provavelmente emociona, independente de religião.
Seja qual for a sua, eu recomendo
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ju em 2:39 PM |
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PEGA LADRÃO
Ontem eu fui dormir com três mil seiscentas e muitas visitas.
Hoje acordei com três mil e poucas...
Não me lembro de tê-las gasto...
Então, alguém aí pode chamar a polícia?
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ju em 2:34 PM |
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Domingo, Abril 04, 2004
VAMOS FAZER UM FILME
Desde criança tenho o hábito de transformar, ainda que apenas na minha cabeça sem freios, os livros que leio, e que me absorvem, em filmes.
Imagino rostos para os personagens, cenários, fotografia, figurino e trilha sonora.
Lembro que da primeira vez que tentei ler O Senhor dos Anéis, desisti nos primeiros capítulos, aflita por não saber imaginar como seria um hobbit.
E precisei ler Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez, e Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago, bem mais de uma vez para entender porque ninguém ainda tinha se atrevido a transforma-los em belíssimos filmes.
Difícil transformar em imagens tanta poesia.
N.B.: Cem Anos de Solidão é o meu livro preferido, entre todos os sem conta que já li até hoje. Ensaio Sobre a Cegueira, se não é o preferido, foi o que mais me impressionou, não só pela história, como pela forma como é escrito e pelo exercício de imaginação que nos instiga a fazer. Leituras bem mais que recomendadas, que me foram oferecidas pelo meu primo (irmão?) Marco, a quem eu devo bem mais que boas dicas de livros.
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ju em 1:00 PM |
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O QUERERES
Porque hoje é domingo.
Porque faz um tempo que eu não faço uma lista.
E porque pode ser que exista por aí um anjo high tech que lê blogs...e quem sabe ele me manda um email escrito: amém.
Eu quero:
Tomar sol e banho de piscina
Depois sorvete, caipirinha e banho de chuva
Ir ao cinema
Ver a Devotchka ensaiar
Passear de tardezinha
Dançar
Uma máquina fotográfica digital
Andar de mãos dadas
Comer sanduíche de trailer
Ouvir um disco maravilhoso
Ganhar um ovo de páscoa (Talento, vermelho)
Passar uma tarde inteira numa livraria
E uma noite inteira jogando Imagem e Ação, Master e War
Tomar banho de cachoeira
Férias de verdade
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ju em 12:59 PM |
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BIZARRE LOVE
I'm waiting for the final moment
You'll say the words that I can't say
Criado e editado por
ju em 12:59 PM |
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Quinta-feira, Abril 01, 2004
AS HORAS
Durante todo o dia, esperou pacientemente pelas seis e meia, até que, enfim, elas chegaram.
E logo depois as sete e quinze. Mais um pouco e as oito e vinte três. As últimas a chegar foram as nove e quarenta e dois.
Vieram todas. Mas vieram todas vazias, mudas e desacompanhadas de qualquer graça.
Tic tac foram as únicas palavras que disseram.
Até a hora de dormir.
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ju em 7:29 AM |
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