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Domingo, Agosto 29, 2004
ILUMINAR E SÓ
O filme é apenas bom. Achei historicamente meio superficial. Meio monótono no começo, chega, em alguns momentos, a ser romântico demais. E a trilha sonora podia ser mais caprichada. Mas a fotografia é linda e se a idéia era emocionar, bem, ele emociona. Mas o filme é apenas bom. Já a noite; foi perfeita.
"Iluminar para sempre/Iluminar tudo/Até o fim da humanidade/Iluminar e só/Esse é o meu lema/E o do sol"
(eu não consegui descobrir o autor, quem souber por favor: os comentários estão às ordens)
ps.: não esquece... passear mais vezes, pelo bem da cidade, pra continuar ventando...
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ju em 10:28 PM |
din don:
O ADRO. A ORQUESTRA. A MENINA
No adro da igreja, numa noite sem estrelas a noite veio ver a menina que rodopiava por entre toda a gente, enquanto a orquestra tocava. Os pés descalços. A pele negra. A roupa rota. Era pequena. Mas fingia ser. E fingindo ser, era. Rodopiava por entre toda a gente. A orquestra tocava. A roupa era azul, nos pés haviam as sapatilhas e na cabeça havia a coroa. O brilho. Fingia ser. Era. Era pequena, mas rodopiava por entre toda a gente, e ao seu redor a multidão se abria. A lua no alto a via dançar. E a noite ventava. Era! E tropeçou no ar. E alçou vôo. E alcançou as estrelas.
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ju em 10:26 PM |
din don:
Sexta-feira, Agosto 27, 2004
QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA...
"Eu ia explodir/ Eu ia explodir...mas eles não vão ver os meus pedaços por aí..."
...ainda mais depois desse beijo de boa noite...
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ju em 10:18 PM |
din don:
Segunda-feira, Agosto 23, 2004
SACRE | 26 E 27 DE AGOSTO | ADRO DA IGREJA SÃO BENEDITO ! 20h00
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ju em 11:00 PM |
din don:
AS VEZES DE ALICE A.
Parágrafo 3: Born to be wild
Antes do começo da história os pais de Alice A. resolveram que ela não nasceria. Decidiram juntos, numa noite de fogos de artifício, que seria melhor para todos, inclusive para a própria Alice, baseados em motivos até hoje desconhecidos devido às circunstâncias narradas a seguir. Acontece porém que quase no começo da história a mãe de Alice mudou de idéia, de nome e de cidade, sumindo no mundo sem avisar inclusive, e especialmente, ao pai de Alice, por quem, na verdade verdadeira, era perdidamente apaixonada e de quem nunca mais se teve notícias até o momento. E assim Alice A. nasceu. E, tendo a mãe morrido de parto, sumida no mundo, sem avisar, cresceu sem saber de onde vinham os seus olhos escuros, seus cabelos anelados, o sinal na batata da perna, suas mãos grandes, seu apreço quase instintivo por suco de laranja, leite moça, sorvete de tangerina, Jorge Bem Jor, Amsterdã e discos de vinil e sua insensibilidade latente, que na virada do dia podia se desmanchar em lágrimas doces diante de uma pieguice qualquer; bem como não sabia de onde vinha seu ódio inexplicável por fogos de artifício, cartas e caixeiros viajantes. O nome, Alice A., veio bordado nas roupas do enxoval. Era Fevereiro. E foi o começo da história.
Essa é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais terá sido pura cara-de-pau.
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ju em 12:49 AM |
din don:
Sexta-feira, Agosto 20, 2004
VERDADE VERDADEIRA
Se alguém tiver alguma verdade boa para dizer, por favor fale agora. Ou pelo menos não se cale para sempre. Porque eu sei, e concordo, que as verdades devem ser ditas, mesmo quando doem; e com conhecimento de causa, eu sei que algumas verdades doem. Mas, procurando bem, deve haver algumas verdades boas de se ouvir. Umas verdades que não desanimem; que não sejam pesadas como pedras atadas aos pés de quem tenta nadar; verdades que não apaguem brilho nos olhos, que não desmanchem sorrisos ou confundam tanto as vontades a ponto de faze-las se perderem todas por aí. Sim, eu sei, e concordo, que mesmo essas verdades devem ser ditas, embora também concorde que algumas verdades só devam ser ditas quando solicitadas. Mas eu preciso agora das outras verdades. Das boas, das que abrem sorrisos, dão esperanças e aquecem corações. Porque das outras verdades, as más, ah, dessas meus bolsos já estão cheios; já tenho muitos sorrisos desfeitos na última gaveta da cômoda; e baldes, baldes e baldes, vazios da água fria despejada sobre mim, guardados juntos com os macacos no sotão. E vontades. Vontades perdidas por não se sabe onde, que quem sabe não teriam se transformado em bons momentos e, mais tarde, parido boas lembranças. Pois é. Eu quero a verdade verdadeira. Mas uma verdade verdadeira das boas. Não me tire o brilho dos olhos, que já quase me custa a ascender; não me tire o brilho dos olhos, que ajuda a iluminar os caminhos. Uma verdade das boas. Me conta. Eu acredito.
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ju em 3:59 PM |
din don:
SE EU NÃO PUDER SER O CHICO BUARQUE, EU POSSO SER O LIRINHA?
"...Quando a dor se aproxima
Fazendo eu perder a calma
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma
O espetáculo não pode parar..."
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ju em 3:59 PM |
din don:
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
$ QUE É GOOD NÓS NÃO HAVE
[Licença, vou ali distribuir uns currículos]
"Deixe-me ir preciso andar/ Vou por aí a procurar/Rir pra não chorar..."
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ju em 11:07 AM |
din don:
NÃO VÁ SE APAIXONAR POR AÍ
"O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca
Que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem
Como a cor da manhã fica
Dá felicidade, dá dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira
Comédia romântica"
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ju em 11:04 AM |
din don:
Segunda-feira, Agosto 16, 2004
A MEXICANA
Eu gosto da Julia Roberts.
E adoro o Brad Pitt.
E esse filme me faz rir.
Muito.
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ju em 10:39 PM |
din don:
FESTA!
A aniversariante
A idade
152 anos
A música tema
Teresina Capital do Mundo
André de Sousa e Ostiga Júnior
Teresina é a nova capital mundial
Deram a notícia no Jornal Nacional
E a partir de hoje o Piauí é que é o tal
O petróleo não está amis satisfazendo
O babaçu é o produto que está rendendo
E o Troca-Troca é o nosso porto internacional
Pelo Rio Parnaíba escoa toda a produção
E no nosso aeroporto, todos os vôos têm que fazer conexão
Nossas ruas são mais lindas que as de Paris
A vida em Teresina está do jeito que eu quis
Do alto do Meduna eu vejo um disco voador
O Palácio de Karnak é a Casa Branca daqui
E a ponte elevadiça sobre o Rio Poti
E a Poticabana é a Disney abaixo do Equador
O Zé Bandeira é o novo secretário geral
E Mão Santa é o nome de um computador multimídia ultra espacial
O Papa se mudou pra Igreja São Benedito
O 4 de Setembro é um teatro erudito
Na praça da Bandeira "enquanto o ônibus não vem"
Eu vejo um belo filme num telão de cinema
Esqueço da vida pois não existe problema
Tranqüilidade não é novidade pra ninguém
Quem vive em Teresina
Champanhe é cajuína
Pra quem vive em Teresina
Tranqüilidade não é novidade pra ninguém
O melhor da programação
Teresina.Pop|Praça.Ocílio.Lago|19H
17.08|Q.i 69| Obtus| Morbydia| Káfila |Scud
18.08|Lado Estéreo 2| Cabesativa | Teófilo Lima| Narguilê Hidromecânico |Roque Moreira.
19.08|Martini Cadilac| Edvaldo nascimento| Mano Crispin| Brigite Bardot| Machado Júnior e Roraima.
XI Salão de Artes Plásticas de Teresina|Casa da Cultura|13.08 à 13.09
Sacre|Marcelo.Evelyn.|Adro.da.Igreja.São.Benedito|26.e.27.de.Agosto|20H
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ju em 4:44 PM |
din don:
Domingo, Agosto 15, 2004
A MÚSICA, O POSTER E A MOÇA
Eu gostaria de poder descrever esse cenário. Tem uma música do Beck tocando, que é linda, mas que eu não conhecia. Tem uma luz acesa que deveria estar apagada. O pôster enrolado ali no canto é pra ficar na parede da sala. Eu gostaria de ter um gravador. Eu sei que já disseram isso mas é assim que eu me sinto. Eu gostaria de ter um gravador pra não esquecer todas essas coisas que devem ser ditas. Faz calor. Tem um ventilador que deveria estar ligado. Tem um móbile pendurado no teto e vários cds espalhados sobre a mesa. Tem um pé machucado. Estão repetindo a música do Beck; é mesmo muito linda. Mas olha só; tem uma cama pequena, e uma rede. E um sapato ali no canto. Uma máquina de escrever com as teclas muito sujas. Janelas fechadas; logo ali os livros. E tem uma moça. Deitada no chão, com o pé machucado, bem no meio de tudo. Ela desenha com lápis de cor. Não dá pra entender direito, a moça parece ser meio abstrata. Mas parece um sol; não muito ortodoxo mas, um sol. Olha, a música do Beck de novo. Mas tem outras músicas, uns trechos pelo ar, não dá par ver de onde vêm. Só dá par ouvir. A moça no meio de tudo vira de barriga pra cima, não desenha mais. Ta lá o sol no chão. Não muito ortodoxo, mas um sol. Tem umas fotos ali do lado e as fitas de Nosso Senhor do Bonfim coloridas, contrastando com o branco do resto. Tem também uma carta pra terminar. E da pra ver uns sonhos soprados ali no teto. A máquina fotográfica está quebrada. O pôster enrolado ali no canto é para colocar na parede da sala. A música do Beck, linda, de novo. A moça dormiu.
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ju em 9:30 PM |
din don:
"EM ROMA FAÇA COMO OS ROMANOS" OU "DIZENDO SIM PARA O MOMENTO PARTE 2" OU "I'M THE OPERATOR IN MY POCKET CALCULATOR" OU "MISSÃO CUMPRIDA"
Eu não gostava tanto assim de música eletrônica; até ontem à noite. E até existem coisas melhores que dançar uma noite inteira; mas não são tantas assim.
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ju em 2:12 PM |
din don:
Sexta-feira, Agosto 13, 2004
CONTAGEM REGRESSIVA
Falta exatamente um mês pro meu aniversário e existem pessoas por aí que acham muito difícil me dar presente. Então pra ficar todo mundo feliz esse ano vou colaborar. Eis a lista:
Top 10 presentes que fariam a Ju muito feliz
01. A biografia de Che Guevara, escrita pelo jornalista John Lee Anderson
02. O amor nos tempos do cólera, Gabriel Garcia Márquez
03. Cd do Gram
04. Camiseta do Gram
05. Um Rayban (que obviamente pode ser dos falsificados)
06. Coletânea do Chico
07. O pôster de Lost In Translation
08. Havainas cor de rosa (sim, eu me rendi, e dái?)
09. Um estojo de hidrocor com 36 cores
10. Chocolates
11. Uma máquina digital.
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ju em 10:06 PM |
din don:
A CASA DE PAPEL
Então "aparentemente" a grande novidade vai morrer na praia, sem fôlego o bastante pra sobreviver a uma onda de mal entendidos. E aí pelas recentes conversas com alguns dos meus amigos da vida toda, a vida pode virar de cabeça pra baixo. Então eu me sinto meio perdida e talvez isso até seja normal. E vai ver que o melhor mesmo seja o caminho "aparentemente" mais fácil, que já tinha sido planejado antes; a grande novidade...Mas e se eu não quiser mais nada disso? E se eu quiser o caminho "aparentemente" mais difícil? E se eu não quiser fazer parte daquele grupo, e sim deste aqui? E se eu quiser fazer cenários? E se depois eu quiser ser professora? E se eu quiser riscar as paredes? E se eu não souber por onde começar? E se eu quiser montar a casa de papel, ainda que seja na cidade cinza; a novidade maior ainda? Ou isto, ou aquilo. E se eu quiser escrever, e só escrever, e escrever pra sempre, e nunca mais parar de escrever?
Sim, eu sou uma sonhadora.
"Ah, bruta flor do querer/ Ah, bruta flor, bruta flor..."
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ju em 10:05 PM |
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Quinta-feira, Agosto 12, 2004
...
descaradamente roubado do blog da menina séria
[Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques -tudo isso ajuda a atravessar agosto.]
Caio Fernando Abreu
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ju em 9:54 PM |
din don:
PUT THE BOOK BACK ON THE SHELF
Então até as bulas de remédio da minha casa já foram lidas nesses últimos meses. Estou aceitando empréstimos e doações.
Atualmente
[agradecimentos ao meu colaborador Sandro Spinelli]
Antes disso
[o último "não lido" da minha casa]
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ju em 4:30 PM |
din don:
Terça-feira, Agosto 10, 2004
UMA CRÔNICA
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e a dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber. Vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
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ju em 10:13 PM |
din don:
Segunda-feira, Agosto 09, 2004
DOR DE BARRIGA
Ela: _ Carreguei seu beijo pra casa com carinho, pendurado no meu ombro, no lugarzinho que você deixou. E sabe o que? Ele afastou os maus e trouxe os bons pensamentos, como aquele sonho que eu tive ; palavras, dor de barriga e azul...
Ele: _Você é muita linda...
Ela: [sorriso e dor de barriga]
...to be continued (?)
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ju em 11:44 PM |
din don:
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
MAMBO E SÓ
Por favor, eu preciso desesperadamente sair pra dançar...(que malditos dias são esses?)
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ju em 11:25 PM |
din don:
SOBRE TODAS AS COISAS (DEVE SER O TAL DO INFERNO ASTRAL)
O Mundo É Um Moinho
Cartola
Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que ir as tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás res olvida
em cada esquina cai um pouco a sua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes a teus pés
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ju em 11:11 PM |
din don:
DOGVILLE
No começo me lembrou uma peça de teatro gravada em vídeo. Teatro exibido numa tela de cinema. Um filme de uma beleza triste; uma fábula cruelmente real. O cenário mais criativo que eu me lembro de ter visto, que me fez querer, dessa vez do fundo do coração, trabalhar com cenografia. O primeiro Lars Von Trier a gente nunca esquece. Principalmente se ele for assim, genial.
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ju em 11:10 PM |
din don:
Quinta-feira, Agosto 05, 2004
DIÁRIOS DE MOTOCICLETA
Eu tentei, mas não tenho o que dizer porque o estrago na minha cabeça foi maior do que eu imaginava. Mais ou menos como Paraíso, que até hoje eu não consegui comentar, classificar ou adjetivar, embora dessa vez os motivos sejam outros. O que posso dizer agora, especialmente para os meus amigos mais antigos, que me ouviram falar durante meses sobre a biografia de Che Guevara, escrita pelo jornalista John Lee Anderson, é que preciso lê-la mais do que nunca. Aceito empréstimos. Agradeço eternamente doações.
p.s.: Palmas Walter Sales, palmas.
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ju em 10:41 PM |
din don:
E NA SEQUENCIA: LIVROS LIDOS NA SEMANA
Viver para contar, de Gabriel Garcia Márquez, pra continuar escrevendo; e Clube dos Anjos, de Luís Fernando Veríssimo, pra querer ler Rei Lear.
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ju em 10:39 PM |
din don:
À PROPÓSITO...
Tenho fortes motivos para acreditar que meu computador está sofrendo de algum mal tecnológico terrível. E agora que o gentil Elias se foi para o Recife, também tenho motivos para acreditar que somente Deus poderá me ajudar. Entendeu Glauber?
***
Minha crescente vontade de fumar foi cruel e providencialmente assassinada por um recém adquirido, ou recém descoberto, pão durismo. Puta que pariu! R$ 2,50 uma carteira de Luke Strike equivale a uma sessão de cinema por semana. Como a gente tem que ter prioridades na vida...Achei ótimo. Eu não sei fumar mesmo.
***
Minha boca está me incomodando, rachada e machucada e eu esqueci de comprar o diabo da manteiga de cacau quando sai do cinema.
***
Não estou conseguindo encontrar algumas partes importantes do meu recém espatifado coração. Temo que isso seja grave. E sim, eu já procurei embaixo da cama.
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ju em 10:38 PM |
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Terça-feira, Agosto 03, 2004
PARIS, TEXAS
Depois de anos, muitos, uns dez eu acho, eu não lembrava muito bem de Paris, Texas (Win Wenders). Eu não lembrava da beleza da fotografia. Eu não lembrava da força da história. Eu não lembrava das cores, dos verdes, vermelhos e azuis. E até lembrava que Natassja Kinski chorando era bonito. Mas não lembrava o quanto. E até lembrava da trilha, porque enfim posso escuta-la quando quiser. Mas não lembrava como ela fazia sentido. E até me lembrava do final. Mas não lembrava, ou talvez não tivesse noção, de como ele é perfeito. Eu não lembrava. Win Wenders é um dos meus preferidos.
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ju em 3:48 PM |
din don:
AS VEZES DE ALICE A.
Parágrafo 2: Alice lost in translation
Daquela vez Alice não resistiu por muito tempo. Comprou uma carteira de cigarros (sonhou com Malboros mas comprou Luke Strike¿s, que traziam lembranças um pouco melhores) e saiu dirigindo um fusca verde pelas estradas esburacadas do nordeste. Usava um rayban velho e esmalte preto nas unhas dos pés. No som, uma das k7 que ela tinha encontrado no fundo de uma gaveta (lado a, Mutantes; lado B, Blitz). Junto com os cigarros comprara uma caixa de chicletes, que ela cuspia fora com muito pouca classe pela janela, cada vez que sentia o gosto ir embora. No primeiro dia de estrada chorou duas vezes. Quando enjoava as músicas do fundo da gaveta, cantava ela mesma músicas de seus filmes preferidas. Mas com o pensamento longe quase não se ouvia cantar. Não gostava da própria voz. Lembrou-se dele pela primeira vez no posto de gasolina, por causa das bicicletas e da coca-cola. Alice gostava quando ele a punha no colo, a olhava nos olhos, colocava o cabelo dela atrás da orelha e dava-lhe um beijo no rosto. Achava que aquilo era quase amor. Mas não era. Comprou mais cigarros e um saquinho de jujubas; infelizmente tinha boa memória. Felizmente tinha um rayban. Consultou o mapa e escolheu o caminho. Não sabia bem pra onde. Mas esperava que fosse longe.
Essa é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais terá sido mera cara-de-pau.
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ju em 3:45 PM |
din don:
Domingo, Agosto 01, 2004
COMEÇANDO A SÉRIE: AS PIORES COISAS QUE JÁ ME DISSERAM
"Eu sou muito insensível"
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ju em 11:43 PM |
din don:
DE CARTAS, TELEGRAMAS E MERDAS QUE ACONTECEM
Segunda-feira de manhã, saindo de casa atrasado como sempre, deu de cara com o tal telegrama em baixo da porta. Ficou em dúvida entre um engano e a morte de algum parente. Se deparou com a tristeza:
"Fudeu tudo. O amor é uma merda. Pedaços de coração por todos os lados. Assinado: eu".
Criado e editado por
ju em 6:48 PM |
din don:
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