a casa de papel inc.

 

 

Segunda-feira, Março 28, 2005


Casa: 1. conjunto de paredes dispostas em forma de coração; 2. lugar de onde se sai, mas não se deixa; 3. o outro nome de família; 4. almofada macia usada pelos guerreiros após grandes batalhas; 5. trampolim para a felicidade; 6. objeto de desejo dos recém-unidos; 7. segundo a ciência moderna, o centro dos sistemas solares; 8. local onde se está melhor protegido das tempestades; 9. sobrenome da Paz; 10. caixa de segredos com lacre inviolável; 11. coletivo de cumplicidade; 12. habitat natural do bicho comumente chamado de "amigo"; 13. objetos que, quando em cima de outros, chama-se de "edifício"; 14. baía de águas calmas; 15. apêndice dos quintais; 16. nome popular de doce chamado Lar; 17. tataraneta das cavernas; 18. na geografia, o lugar do mundo onde o dia amanhece com cheiro de café; 19. agrupamento de tijolos unidos pelo cimento da marca Confiança; 20. motivo da existência das passagens de ida-e-volta [André Gonçalves]

Querida Mãe

Desculpe não ter ligado, mas a vida anda uma bagunça.
Finalmente não sou mais uma semi visita na paulicéia. Mudamos esse fim de semana, com a ajuda dos queridos tio Jô e tia Dalva [a fada madrinha com nome de estrela mais brilhante], e agora já posso receber os amigos em casa para almoçar e já tenho um quarto só pra mim. É bem verdade que preciso fazer um chá de quarto novo, ou qualquer coisa que o valha, afinal preciso de uma cama; conseqüentemente preciso de roupas de cama, e também já andei sonhando com paredes pintadas com alguma cor bacana, fotos, cartões e ingressos de cinema feito quadros, bem como com almofadas de chita, uma estante para livros e livros para a estante. E como não podia deixar de ser, também não esqueci a minha vitrola laranja, nem o meu telefone amarelo. Uma persiana também ia bem, já que a minha cortina quebrou e eu não quero me tornar a desinibida da Vila Mariana. Mas enfim, eu sei mãe, uma coisa de cada vez. E lá se foi mais um passo.
Eu tenho procurado sim ter paciência, bem como você pediu. É verdade que às vezes fica difícil mãe. Às vezes as coisas ficam difíceis. Às vezes as pessoas ficam difíceis. Às vezes eu fico difícil. E aí às vezes eu fico triste. E às vezes até choro baixinho, sem ninguém saber porque. Mas passa quando penso em você e na sua força mãe. Passa quando penso nos meus objetivos. Passa quando penso no Meu e na sua crença tão convincente de que eu podia ser tudo o que eu quisesse. Passa quando penso no Marco, sua determinação, seu sucesso e sua poesia preferida ["...se o duro combate os fracos abate/ aos fortes aos bravos só pode exaltar..."]. Passa quando penso na minha tia especial, tão cheia de graça, e em todas as outras tias, na espera por boas notícias. Passa quando penso nos meus primos e primas tão queridos, irmãos e irmãs [especialmente "ar duas"], forjados de uma força maior. Passa quando penso nos meus amigos que torcem a favor [ainda? Sempre.]. Passa quando penso no meu avô; na força simples, porém gigantesca encerrada naquele corpo meio paralisado, e no orgulho que eu tenho de dizer que sou neta de músico. E aí eu percebo que você sempre teve razão mãe; família é o mais importante. A de sangue e a que a gente escolhe. Você sabe tanto mãe; eu sei tão pouco.
Mas assim mesmo, está tudo bem mãe. Aos poucos tudo vai pro lugar, levado pelas mãos das coisas cotidianas. Meu curso de direção de arte e diagramação vai bem. Minha oficina de patrimônio também. Continuo esperando as inscrições pro mestrado e me divertindo [e sobrevivendo] com o trabalho na agência. E continuo procurando trabalho de arquiteta [eu sou teimosa, lembra?]. O frio parece que vai voltar na paulicéia de clima desvairado; e semana passada um menino de rua, que não devia ter mais de 8 anos, me pediu em casamento no meio da praça da república, me dando o primeiro sorriso do dia. E nem era um assalto.
A vida é formidável, mãe.
E eu amo você demais.
Obrigada por tudo.

Sua Ju

ps.: diga à Jerusa que, ainda que com um pouco de atraso, desejo a ela toda a sorte do mundo em Fortaleza; que a mudança seja tão boa pra ela quando tem sido pra mim. E diga à Rine que fui num restaurante mexicano e comi pimenta, por mim e por ela, até a língua ficar dormente, e que tomei a melhor marguerita frozen de frutas vermelhas do mundo.

pps.: posso ter um gato?

Criado e editado por ju em 12:20 PM | din don:

 

Terça-feira, Março 22, 2005


MAIS UM

Azar o seu querida.

[por uma vida menos ordinária e por uma casa de papel mais pessoal; uma caixa com dicas de boas coisas e textos fictícios...meus ou não]

we hope you will enjoy the show

Criado e editado por ju em 7:17 PM | din don:

 

Quarta-feira, Março 16, 2005


A MULHER QUE FALAVA JAVANÊS
[porque as vezes eu tenho vontade de ficar muda para sempre]


"Diz-me, por que não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive... O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... sei lá de quê!"

Florbela Espanca

Criado e editado por ju em 11:41 AM | din don:

 

Domingo, Março 13, 2005


PUNCH DRUNK LOVE
[ou "eu também amo você"]


_Oh my god, you are so adorable. I just...god dammit.
_What's that? What is that that you're doing?
_I just...your face is so adorable and your cheek and your skin, I wanna bite it....I wanna bite your cheek and chew on it....god damn cute...fuck...
_I know what you mean, I know what you mean, I get this feeling¿
_...what...?
_IIIIIIIIIII don't want to hurt anything ever, but what I'm talking about is -- have you ever held a little puppy or a little kitten and it's just the cutest, softest, most precious thing in the world and out of the blue you get this feeling in your gut and all you wanna do is squeeze it. Just fuckin squeeze the shit out of it. To take a little puppy and smash its skull...just so precious, so beautiful. Just so god damn wonderful and cute you wanna smack it and kick it and love it. Fuck. I don't know. I don't know. And you, you.....I'm looking at you and I just....your face is so beautiful I just wanna smash it, just smash it with a sledgehammer and squeeze it...you're so pretty.
_I know. I know. I know. I just wanna chew your face and scoop out your beautiful, beautiful eyes with an ice cream scooper and eat 'em and chew 'em and suck on 'em.
_This is funny.
_Yeah.
_This is nice.

[...]

Criado e editado por ju em 12:07 AM | din don:

 

Quarta-feira, Março 09, 2005


WE CAN WORK IT OUT

Chance: 1 acaso favorável. 2 oportunidade; ensejo. 3 possibilidade de (alguma coisa que independe de intenção humana ou causa observável) acontecer. 4 indício que deixa presumir que há condições para (um fato favorável a alguém) se produzir.

Criado e editado por ju em 12:48 PM | din don:

 

Segunda-feira, Março 07, 2005


TELEGRAMA ENCONTRADO EMBAIXO DA PORTA NUMA TARDE AZUL

Abre aspas. Querida. Se eu nunca mais voltar é que finalmente aconteceu: eu sangrei até secar. E finalmente me rendi. E finalmente desisti. Fecha aspas.

Criado e editado por ju em 7:09 PM | din don:

 

Sexta-feira, Março 04, 2005


A QUEM INTERESSAR POSSA
[ou Corujices De Uma Ex Produtora]


A apresentação da banda Roque Moreira na 4ª Bienal da UNE foi um sucesso, com direito a pedido de bis e tudo mais. Uma pena que a pista do ginásio não tenha sido liberada [!], que o evento não tenha sido divulgado o bastante pra ser muito prestigiado e que o iluminador tenha esquecido da luz bem na hora que os meninos tavam no palco. Fora isso [e fora o fato de eu estar com dores musculares de tanto o Daniel me fazer subir e descer aquelas arquibancadas] a apresentação foi tão boa que cogitou-se a possibilidade de um show inteirinho da banda no último dia de bienal. Coisa boa assim, nunca vi.

Criado e editado por ju em 12:20 PM | din don:


DE QUANDO ELA FOI ENCONTRADA

Encontrou-a por acaso dentro de um livro que derrubou desastradamente da estante, quando tentava organizar um pouco as coisas. Olhando pra baixo, de cima da frágil escada de montar, relembrava o seu medo de altura, e podia ver o livro aberto, a folha de papel dobrada ao seu lado. Ficou lá por algum tempo resolvendo se essa história de organizar as coisas era mesmo uma boa idéia. Quando resolveu descer, com a intenção de pegar o livro e coloca-lo de volta no lugar, o interesse por aquele papel não existia. Cinco degraus pra baixo, no entanto, fizeram aflorar a curiosidade inerente ao ser humano, e com a desculpa de jogar o papel fora, caso fosse uma bobagem qualquer, simbolizando o seu primeiro passo no processo custoso de organizar as coisas, apoiou um dos joelhos no chão. O papel era novo. O livro também. O joelho começou a doer, mas a curiosidade cresceu e, assim mesmo, nessa posição, demonstrando um afetado desdém, leu:

Dear
Isto não é uma carta de quase amor, como as outras. Nem mesmo é uma carta secreta. Já faz tanto tempo. Faz frio, e tenho comigo um desejo ardente de sorvete. Meus lábios estão rachados e meu coração talvez um pouco mais que isso. Comprei manteiga de cacau para os lábios e tenho tomado bastante suco de laranja, cicatrizante, como você recomendou. Se você me perguntasse como estou provavelmente eu não saberia o que responder. É uma espécie de torpor. Feliz por umas coisas, triste por outras, um pouco de raiva de umas, muito ocupada com mais algumas e ansiosa pelas que ainda faltam. São tantas as coisas. E eu sempre me lembro da sua voz me dizendo pra ficar tranqüila. Andei de roda gigante. Eu sinto falta do cheiro dos meus livros. Mas eu não quero que isso pareça uma carta triste. Não é. Não é nem mesmo uma carta. Um bilhete talvez. Eu o deixaria na porta da geladeira se geladeira houvesse. E, veja bem: agora eu tenho lápis de cor. E são tantas cores. E também tenho um noivo que vai casar comigo de all star vermelho e me tirar pra dançar todo dia. Também tenho mapas. Almofadas coloridas no chão da sala. Uma caixa de band-aids. Músicas tristes; que me fazem pensar em como é difícil ser forte. Músicas felizes que me dão vontade de cantar. E dançar. Ai. Que vontade de dançar. Enquanto isso, nos lapsos de memória, eu observo as pessoas. Seus movimentos, o jeito que elas se olham e que se tocam. Eu as imagino dançando sobre as mesas das praças de alimentação dos shoppings. E imagino histórias para suas vidas. Um dia escrevo um livro, cheio de histórias inventadas sobre pessoas desconhecidas, autografo e mando pra você, Dear. Com todo o meu amor.
Fico tranqüila.
Yours.


[...]

Criado e editado por ju em 12:20 PM | din don:

 

Quinta-feira, Março 03, 2005


NEM OS MAIS FEROZES

"O melhor romance sobre crime escrito em primeira pessoa que eu já li."
Quentin Tarantino



"Fiz uma pausa, me esforçando para formatar o turbilhão em palavras, com suor na testa e debaixo dos braços. _Você precisa entender que eu não sou como você. Estou deturpado e amarrado a coisas demais no meu passado para poder ser como você. Isso não quer dizer que estou destinado a ser uma ameaça à sociedade. Se eu acreditasse que meu futuro teria de ser como meu passado, me mataria. Estou cansado. Posso ceder o suficiente para cumprir a lei, mas nunca serei como o sujeito que vai para a sua casa no vale de São Fernando encontrar mulher e filhos. Queria ser esse sujeito, mas não sou. E suas ameaças não vão me conter. Ameaças despertam fúria, não medo."

[Nem os mais ferozes, primeiro romance de Edward Bunker, foi lançado nos Estados Unidos em 1973, quando o autor tinha quarenta anos, dois anos antes de ele sair definitivamente de San Quentin, a mais antiga e famosa prisão estadual da Califórnia. Edward Bunker nasceu e cresceu em Los Angeles. Foi criado também pelo sistema correcional juvenil da cidade. Está fora da prisão desde 1975, mas antes disso ele passou a maior parte da sua vida, menos a tenra infância, atrás das grades. Ele tinha dezessete anos de idade quando deu entrada em San Quentin pela primeira vez. Foi durante essa estada de quatro anos e meio que Bunker descobriu os livros e, quando ganhou uma máquina de escrever de presente de Louise Wallis, a esposa do célebre produtor de cinema Hal Wallis, começou a escrever. Escreveu seis romances que não foram publicados. O sétimo, a história de Max Dembo, que se passa em Los Angeles, foi Nem Os Mais ferozes [No Beast So Fierce]. O livro recebeu ótimas críticas e se tornou, em 1978, o filme Liberdade Condicional [Straight Time] com Dustin Hoffman, dirigido por Ulu Grosbard. Em seguida veio Animal Factory, um solene romance sobre prisão que foi adaptado para o cinema e dirigido por Steve Buscemi, estrelando Willem Dafoe e Edward Furlong. Depois, outros dois romances: Little Boy Blue, a história da descida de um jovem ao mundo do crime em Los Angeles, que já tem roteiro adaptado por Edward Bunker, e Cão come cão [Dog Eat Dog], que também está pronto para o cinema e foi entregue aos produtores Michel Shane e Tony Romano. Sua autobiografia, Education of a Fellon, foi publicada nos Estados Unidos pela St. Martins Press e também foi lançada na Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Japão e Austrália, onde o autor tem uma multidão de admiradores. Edward Bunker continua morando em Los Angeles com a mulher e filho.]

info: www.ebarracuda.com.br

Criado e editado por ju em 12:18 PM | din don:

 

Terça-feira, Março 01, 2005


HOJE TEM ROQUE MOREIRA...

...dentro da programação da 4ª Bienal da UNE, às 21H, no ginásio do Ibirapuera.
Depois eu conto como foi.

E enquanto isso em Teresina...

No Essence.Lado 2 Estereo.Kafila.The Honkers (BA)
Espaco Cultural Trilhos.19H
Ingressos 5,00 na Full Rock, Chimpanze, Moral e Weblan (Riverside)
Info: 9973-4448
Depois me contem como foi.

Criado e editado por ju em 11:45 AM | din don:


JU E OS OVOS DE OURO

O Homem e a Galinha
Ruth Rocha


Era uma vez um homem que tinha uma galinha.
Era uma galinha como as outras.
Um dia a galinha botou um ovo de ouro.
O homem ficou contente. Chamou a mulher:
- Olha o ovo que a galinha botou.
A mulher ficou contente:
- Vamos ficar ricos!
E a mulher começou a tratar bem da galinha.
Todos os dias a mulher dava mingau para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete.
E a galinha todos os dias botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Pra que este luxo todo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló... Muito menos sorvete!
Vai que a mulher falou:
- É, mas esta é diferente. Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa:
- Acaba com isso, mulher. Galionha come é farelo. Aí a mulher disse:
- E se ela não botar mais ovovs de ouro?
- Bota sim! - o marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha.
E a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
- Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim. - respondeu o marido.
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha.
E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
- Pra que este luxo de dar milho pra galinha? Ela que cate o de-comer no quintal!
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido falou.
E a mulher soltou a galinha no quintal.
Ela catava sozinha a comida dela.
Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Um dia a galinha encontrou o portão aberto.
Foi embora e não voltou mais.
Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.

Criado e editado por ju em 8:46 AM | din don:

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